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Você já descobriu que tem perda auditiva mas tem dúvidas em relação aos benefícios dos aparelhos auditivos?

Seguem as dúvidas mais frequentes dos pacientes na hora comprar os aparelhos auditivos:

  1. Tamanho: Posso usar os aparelhos auditivos pequenos?
  2. Qual é a melhor marca de aparelhos auditivos?
  3. Aparelhos auditivos são caros?
  4. Quanto tempo duram os aparelhos auditivos?
  5. Preciso usar aparelhos auditivos até o fim da vida? Seu uso vicia?
  6. Devo usar dois aparelhos auditivos ou posso usar somente um?
  7. Será que realmente preciso usar os aparelhos auditivos agora?
  8. Os aparelhos auditivos vão acabar com meu zumbido?
  9. É possível fazer cirurgia para curar a perda auditiva?
  10. Será que vou me adaptar com os aparelhos auditivos? Posso testar antes de comprar?

1. Tamanho: Posso usar os aparelhos auditivos pequenos?

Quem determina o tipo de aparelho auditivo é o fonoaudiólogo. E somente após a análise de alguns fatores que poderá decidir entre os aparelhos customizados (inseridos dentro da orelha: microcanais e intracanais) ou retroauriculares (inseridos atrás da orelha – adaptação aberta, receptores no canal e retroauriculares).

Dessa forma, a determinação do tipo de aparelho auditivo depende da anatomia do canal auditivo do paciente, excesso de produção de cerúmen ou infecções de ouvido recorrentes, grau da perda auditiva e suas necessidades auditivas (grau e configuração audiométrica e índice de compreensão das palavras), questões estéticas relevantes, presença de zumbido intenso e necessidades tecnológicas e de conectividade.

2. Qual é a melhor marca de aparelhos auditivos?

Existem várias marcas de aparelhos auditivos, as quais pertencem a grandes fabricantes internacionais, presentes no mercado brasileiro há muitos anos.

Todas essas marcas investem muito em pesquisa e desenvolvimento de aparelhos auditivos, visando oferecer qualidade de vida ao usuário com melhor qualidade de som e recursos tecnológicos como por exemplo, acessórios de conectividade com TV, celular e microfone remoto.

Portanto, o importante é o atendimento e os serviços que a clínica ou empresa que vende os aparelhos auditivos oferecem, independente da marca, como manutenções periódicas, assistência técnica rápida no local e laboratório homologado pelo fabricante, além da garantia do produto.

3. Aparelhos auditivos são caros?

Os aparelhos auditivos são relativamente caros por não serem fabricados no Brasil, portanto terem sua origem estrangeira e dependerem de importação. Além disso, para serem comercializados os aparelhos auditivos necessitam de registros no Ministério da Aaúde (Anvisa), Anatel e pelo Inmetro.

Mas se pensarmos que os aparelhos auditivos são usados diariamente, durante pelo menos 5 anos, e que melhoram significativamente nossa qualidade vida, será que são tão caros mesmo?

4. Quanto tempo duram os aparelhos auditivos?

Há um consenso entre os fabricantes de que a durabilidade dos aparelhos auditivos é de cinco anos ou que devem ser trocados a cada 5 anos. No entanto, tudo depende das manutenções realizadas e dos cuidados de uso. Também leva-se em consideração que novas tecnologias de aparelhos auditivos se desenvolvem a cada ano, ajudando ainda mais os usuários de próteses auditivas a compreender melhor a fala.

5. Preciso usar aparelhos auditivos até o fim da vida? Seu uso vicia?

A partir do momento que existe uma indicação de prótese auditiva decorrente de uma perda auditiva adquirida, é necessário usar aparelhos auditivos para sanar os prejuízos causados por essa perda auditiva que, normalmente, é irreversível.

Também é comum o paciente questionar se o uso de aparelhos auditivos vicia. Podemos dizer que a partir do momento que nos acostumamos ao que é bom, é difícil ficar sem.

6. Devo usar dois aparelhos auditivos ou posso usar somente um?

Existe um critério para determinar se o uso do aparelho auditivo deve ser unilateral ou bilateral. Caso haja uma perda auditiva em ambas orelhas, devemos adaptar aparelhos auditivos nas duas orelhas para não gerarmos uma privação auditiva na orelha não adaptada.

Além disso, existe diversos estudos que sustentam a teoria de adaptar dois aparelhos auditivos quando existe perda auditiva nas duas orelhas mesmo sendo de graus diferentes.

Usar dois aparelhos auditivos ajudam na localização do som independente de onde vem o estímulo sonoro, permite uma melhor compreensão da fala em ambientes silenciosos e ruidosos, facilitam a manutenção do senso do equilíbrio e garantem que o cérebro faça menos esforço na hora de ouvir.

7. Será que realmente preciso usar os aparelhos auditivos agora?

“Eu ouço bem, só não entendo”, é o que muitos dizem, e assim vão adiando o tratamento auditivo.

Mas se você já se conscientizou sobre a diminuição da audição, em geral tardiamente, existe um exame que é feito para verificarmos se a pessoa possui uma perda auditiva, se essa perda auditiva ocorre em ambas orelhas, qual o tipo e grau da perda auditiva. O resultado desse exame, juntamente com a avaliação médica determina se é necessário usar os aparelhos auditivos o quanto antes ou não.

Mas, na dúvida, pode-se observar alguns sinais e sintomas que indicam a possibilidade da presença de uma perda auditiva e de quanto essa perda auditiva está atrapalhando suas atividades do dia a dia e piorando sua qualidade de vida. Verifique se você se enquadra nos questionamentos abaixo:

  • O volume da sua televisão é mais alto do que a dos seus familiares?
  • Você precisa solicitar que as pessoas repitam o que estão dizendo com frequência?
  • Você possui dificuldades em entender o que os outros dizem em ambientes barulhentos ou durante uma conversa com mais de três pessoas?
  • Você evita frequentar alguns ambientes porque sabe que terá dificuldades em acompanhar as conversas?

Além disso, a existência de uma perda auditiva pode gerar algumas consequências como aumento da irritabilidade, problemas de relacionamentos familiares e profissionais, isolamento social, depressão, dificuldade de compreensão, diminuição da cognição e riscos de acidente decorrentes da diminuição da percepção sonora do ambiente. Tudo isso poderia ser minimizado ou resolvido com o uso das próteses auditivas.

8. Os aparelhos auditivos vão acabar com meu zumbido?

Primeiramente é necessário entender que o zumbido é um ruído ouvido pela pessoa que não provém do ambiente externo. Ele não é a doença propriamente dita, é um sintoma de uma doença.

As doenças mais comuns que podem gerar um zumbido concomitante são:

  • Perda auditiva
  • Alterações hormonais (hipotireoidismo)
  • Alterações cardiorrespiratórias
  • Alterações da ATM (articulação temporo-mandibular)
  • Alterações de coluna cervical
  • Alterações neurológicas
  • Alterações circulatórias
  • Alterações emocionais (estresse, ansiedade depressão)
  • Alterações gastrointestinais (abuso de cafeína, intolerância a lactose, jejum prolongado, abuso de doces e carboidratos)

Dessa forma, o aparelho auditivo pode ajudar a mascarar esse zumbido tornando-o menos perceptível durante a utilização do mesmo, mas ao retirar os aparelhos auditivos o zumbido continuará lá com a mesma intensidade caso não tratemos a doença que faz com que ele se apresente.

Mas, temos também em alguns casos a possibilidade de fazer um tratamento do zumbido através do uso dos aparelhos auditivos que possuem um gerador de som que tem como objetivo fazer com que o cérebro habitue esse zumbido.

Assim, é possível dizer que o uso dos aparelhos auditivos, na maioria dos casos, pode de alguma forma ajudar com seu zumbido.

9. É possível fazer cirurgia ou tomar remédio para curar a perda auditiva?

Uma dúvida comum é se se existe cirurgia para curar a perda auditiva, ou algum medicamento que faça voltar a escutar.

De fato alguns problemas que acometem a orelha externa ou média podem ser tratados cirurgicamente, como quando há o enrijecimento da cadeia ossicular da orelha média, através da estapedectomia, ou infecções recorrentes, através de implantação de tubo de ventilação ou medicação.

Existe também o Implante Coclear, mas apenas para aquelas pessoas em que o aparelho auditivo não é indicado pelo médico otorrinolaringologista.

No caso da presbiacusia (perda auditiva causada pelo envelhecimento natural do ouvido e que ocorre após os 65 anos de idade), a perda auditiva é irreversível, podendo ser tratada com o uso de aparelhos auditivos.

10. Será que vou me adaptar com os aparelhos auditivos? Posso testar antes de comprar?

Muitos tem dúvidas se vão se adaptar aos aparelhos auditivos.

Aparelhos auditivos são dispositivos eletrônicos capazes de aumentar o som do ambiente e da fala para aquelas pessoas que apresentam, por alguma razão, alguma dificuldade em ouvir.

Hoje em dia, eles são totalmente digitais, possuem muita tecnologia e são regulados através de um software que levará em consideração as suas dificuldades auditivas e as suas necessidades diárias.

Diferente de antigamente, devido às mudanças na tecnologia, os aparelhos auditivos atuais possuem um som mais limpo, claro, com menor nível de ruído, o que facilita a compreensão da fala mesmo em situações de escuta bem difíceis e muito ruidosas.

Além disso, como qualquer prótese, será necessário um período de adaptação que poderá ser maior ou menor dependendo de cada pessoa.

Esse período de adaptação é necessário já que o usuário precisa aprender a ouvir novamente todos os sons e o cérebro possui papel fundamental já que ele poderá processar as informações auditivas de forma mais adequada mediante uma reorganização neural.

Entretanto, o período em que a pessoa passou com a perda auditiva e sem a estimulação auditiva correta fez com que se acostumasse com uma escuta limitada que modificou a maneira de ouvir o mundo e também tornou aqueles sons que consideramos desagradáveis como ruído do trânsito, do ar condicionado, do latido do cachorro e ruídos em geral menos presentes por estarem mais baixos.

Porém, todos os sons, sejam de fala ou ruídos são importantes para nossa qualidade de vida. Os sons de fala permitem que nos comuniquemos com mais compreensão e clareza e os ruídos influem na nossa segurança, pois sem eles temos uma percepção diminuída do ambiente e poderemos sofrer algum risco de acidente. 

Enfim, quando há uma perda auditiva e há a necessidade do uso de aparelhos auditivos, devemos usá-los, sabendo que teremos um período de adaptação, mas que após esse período o benefício será indescritível.

Hoje em dia é muito comum o paciente levar para teste domiciliar por alguns dias os aparelhos auditivos indicados pela fonoaudióloga como os mais adequados para sua perda auditiva, seu estilo de vida, suas condições médicas e necessidades diárias.

Isso ajuda muito o paciente a ter segurança na compra dos aparelhos auditivos, pois poderá verificar os benefícios dos mesmos no seu dia a dia. Mas, não devemos esquecer que o processo de adaptação não é imediato e, portanto, poderá necessitar de alguns ajustes e de tempo para se adaptar a esse novo mundo que é mais sonoro do que aquele de quando não usava os aparelhos auditivos, mas já apresentava uma perda auditiva.

Referências

Fonoaudióloga Dra. Kátia Carvalho, CRFa SP 2-8986.

Dra Tanit Ganz Sanchez: https://www.tvzumbido.com.br/

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