A Cloroquina é uma 4-aminoquinolina usada clinicamente desde 1944. É uma escolha terapêutica para o tratamento de pacientes com malária, pacientes com abscesso hepático amebiano, pacientes com doenças reumáticas como Lúpus eritematosos sistêmico, artrite reumatoide, artrite idiopática juvenil e Síndrome de Sjogren. E, também pode ser utilizado como antipirético e anti-inflamatório.

É um medicamento com poucos efeitos adversos se utilizado na dose habitual pata tratamento de doenças agudas, mas possui uma margem de segurança estreita.

As reações adversas mais comuns são prurido, tontura, cefaleia, perda de apetite, náusea, vômito, dor abdominal, diarreia, zumbido, irritabilidade, visão turva e febre. Raramente outras reações podem ocorrer como: toxicidade ocular, cardiotoxicidade, distúrbios sanguíneos, sintomas gastrointestinais, neurológicos, neuromusculares, psiquiátricos, entre outros.

Lembrando que a ototoxicidade por medicamentos pode ser considerada como uma perturbação transitória ou definitiva da função auditiva e/ou vestibular. E que, sabe-se que a hidroxicloroquina (HCQ) apresenta um potencial tóxico muito menor que o fosfato de cloroquina (FC). Os sintomas da ototoxicidade pelo uso do fosfato de cloroquina são zumbidos, perda auditiva sensorioneural (irreversível ou reversível, dependendo do tempo de uso do medicamento) e vertigens.

Vale lembrar que no caso dos pacientes com Lúpus eritematoso sistêmico ou outras doenças autoimunes, a perda auditiva é uma manifestação frequente decorrente de uma auto agressão da orelha interna. Estima-se que essa disacusia seja flutuante, bilateral e rapidamente progressiva. Com maior incidência no sexo feminino (65% dos casos) e na faixa etária de 17 a 42 anos. E que a perda auditiva é encontrada nos pacientes com Lúpus eritematoso sistêmico em 22% dos casos, embora essa porcentagem pode ser maior, já que acabam passando despercebidos devido a gravidade dos outros sintomas dessa patologia.

Dessa forma, parece que a cloroquina tem um papel potencializador de perda auditiva nos casos de doenças que antes mesmo da sua administração tenha um caráter de prejuízo em alguma estrutura do ouvido interno, como as doenças autoimunes. Mas, a sua ototoxicidade, reversível ou irreversível, depende do tempo de uso do medicamento e da sua dosagem.

O único consenso que existe em várias pesquisas sobre o assunto é que pouco estudo se fez sobre a ototoxicidade da cloroquina e portanto, não podemos tirar conclusões definitivas.

Referências Bibliográficas

  • Cecatto SB, Garcia RID, Costa KS, Anti SMA, Longone E, Rapoport PB. Perda auditiva sensorioneural no lúpus eritematoso sistêmico: relato de três casos. Revista Brasileira de Otorrinolaringologia. São Paulo. Maio/Junho 2004; vol.70 nº3.
  • Figueiredo MC, Atherino CCCT, Monteiro CV, Levy RA. Antimaláricos e Ototoxicidade. Revista Brasileira de Reumatologia. São Paulo. Maio/Junho 2004; vol.44 nº3.
  • Mutis MCS, Espinosa FEM, Castro CGSO. Nota Técnica. Orientaçõessobre o uso da Cloroquina para tratamento de pacientes infectados com SARS-CoV-2, agente etiológico da Covid-19. Fiocruz. 2020.
  • Rachid A. A participação do aparelho auditivo nas doenças autoimunes. São Paulo. Maio/Junho 2009; vol.49 nº3.
  • Cloroquina pode causar lesões auditivas, como surdez: “não é uma dipirona”, diz Mandetta
  • Ela tomou cloroquina para prevenir malária e perdeu 60% da audição

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